“Eu tinha te prometido tanta coisa, mas deixei de cumprir, quando você foi embora. Assim como você também deixou quando se foi.

E você disse, depois de chorar quase a noite toda, o quanto me amava, e por um momento pensei em te perdoar. Mas como sempre, mentiu pra mim. Lembra daquela vez que eu jurei que sempre te contaria a verdade e você me olhou, dizendo que esperaria que o meu sempre fosse realmente o  mesmo sempre que o seu? Nós rimos juntos, e você inconscientemente prometeu o mesmo. Depois, andamos por várias horas, meus pés doeram por quase dois dias, garota, mas valeu a pena cada segundo, estavam conversando e rindo do modo como as pessoas andavam. E eu disse, sabendo o quanto ia te irritar, que você também andava estranho, mesmo sendo mentira. Você riu, e me deu um tapa  o mais forte que pode, e mesmo assim, não doeu. Eu disse que apreciava sua tentativa, e você me olhou, fingindo estar triste. Mas, ainda assim, continuava linda. Poderia dizer com toda certeza, a mais garota linda que já vi. Lembra da vez que você ficou tão chateada por que seus pais não te deixou ir pro show da sua banda preferida, você já tinha comprado os ingressos, e ficou tão triste, que passou a manhã toda trancada no quarto e sua mãe (que mesmo não indo com minha cara) — e me odiando inúmeras vezes por fazer a filha dela se apegar tanto a alguém—, me ligou pra ir te ver. Eu lembro de ficar tão nervoso, que quase nem olhei nos olhos dela, quando ela disse que ia sair, e pra agente não fazer besteira nenhuma e você riu quando eu contei. Eu bati na sua porta várias vezes, e você não abriu, até eu dizer que era eu. Você tava com os olhos inchados, e eu nem sabia aonde pisar, já que tinha um monte de coisas quebradas no chão. Eu lembro de ver você olhar pra mim, desviar o olhar, e me dizer: Desculpa pela bagunça. Com um sorriso triste no rosto, eu me sentir inútil por não poder fazer nada. Então, eu fechei a porta e comentei o quanto uma garota podia ser odiosa, você riu, e me fez trancar a porta, me olhou por mais meio segundo e deitou na cama. Eu disse que tudo tem seu lado bom. E você riu, perguntando qual era o lado bom da situação. Então, eu liguei a tv e você continuava deitada, até eu aumentar o volume e você pode ouvir a música que tocava. Você me olhou, eu sorrir, e você pulou em cima de mim, chorando, e logo depois sentou no chão e cantou todas as músicas, gritou, e comentou o show interinho, reclamando a tarde toda que preferia ta lá, do que assistir o show ao vivo, mas servia. Eu assistia você falando tudo isso, enquanto tava deitado na sua cama, que parecia bem melhor que a minha, claro, ela tinha seu cheiro. Não demorou muito pro show acabar, então você deitou do meu lado, e veio mais uma vez me dizer o quanto precisava ta lá, e um monte de coisas sobre o quanto você amava eles, e eu só conseguir calar sua boca, no fim da tarde, te beijando. Você conseguiu me irritar, garota, falando o quanto você amava aqueles caras que nem ao menos conhecia, enquanto eu tava do seu lado. Você achou fofo eu ter ficado com ciúmes, e me perturbou com isso por alguns minutos enquanto ria e apertava minhas bochechas. O que destruía minha masculinidade eu ter de admitir isso, mas eu não ligava. Então você me lembrou que sua mãe ainda não tinha chegado, e eu disse que sabia, e  perguntei por que tava me lembrando disso, e você respondeu que  queria ser minha aquela noite. E você foi minha, e eu fui seu primeiro. […] Mas, as coisas mudaram, acho que me enganei quando disse que tudo tem seu lado bom, ainda tô procurando o lado bom de tudo isso, e você deve ta se perguntando por que eu tô lembrando disso tudo, então eu te digo, só por que antes de ir embora, você disse que eu tinha esquecido. Eu lembro tudo, de cada detalhe, da mesma forma que você esqueceu. Só de pensar que você sabia que foi tudo pra mim, e mesmo assim foi embora, doí. […] Eu te amei Cristina, e por vezes acho que ainda amo, mas sei que isso não importa mais, você nunca quis saber, então vou deixar tudo como estar. E você também disse que nada que eu dissesse iria concertar, então eu resolvi escrever.” Juliane Cazumbá 

beijos, julie.

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