Eu achei por um longo tempo que eu era muito feio para as mulheres e então descobri que elas são bem fortes.

Se você tem algo para dar a elas, como seus sentimentos… as mulheres são tão fortes. Elas não se importam se você tem um braço ou cinco dedos faltando ou se há sangue saindo do seu nariz. Se você apenas…

Charles Bukowski

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Dizem que as pessoas de cabelo vermelho estão sempre se irritando com a maior facilidade,

mas o Allie nunca brigava, e tinha o cabelo um bocado vermelho. Para mostrar como o cabelo dele era vermelho, eu me lembro que uma vez, nas férias de verão, quando eu tinha uns doze anos, estava jogando golfe (comecei a jogar golfe quando tinha dez anos) e, assim sem mais nem menos, tive a impressão de que se me virasse de repente veria o Allie. Olhei para trás e lá estava ele sentado na bicicleta, do outro lado da cerca – havia uma cerca que corria em volta de todo o campo – a mais de cem metros, me olhando dar a tacada. Isso mostra como o cabelo dele era vermelho. O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO

Fico imaginando uma porção de garotinhos brincando de alguma coisa num baita campo de centeio e tudo.

Milhares de garotinhos, e ninguém por perto – quer dizer, ninguém grande – a não ser eu. E eu fico na beirada de um precipício maluco. Sabe o que tenho que fazer? Tenho que agarrar todo mundo que vai cair no abismo. Quer dizer, se um deles começar a correr sem olhar para onde está indo, eu tenho que aparecer de algum canto e agarrar o garoto. Só isso que eu ia fazer o dia todo. Ia ser só o apanhador no campo de centeio e tudo. Sei que é maluquice, mas seria a única coisa que eu queria fazer. Sei que é maluquice.  O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO

Você pergunta se ela também pensa em você. Sem resposta, mas claro que sim.

Com sombras de dúvida. Ninguém apaga tudo assim. Ela também ouve “Fix You” com o olhar triste no céu escuro da varanda. Claro que ouve. Aí você começa a desconfiar que ela poderia ter sido a garota legal da sua vida.

Gabito Nunes.

Todo ano, sempre que ligava no meu aniversário, meu avô me perguntava o que eu queria ser, quando crescesse.

Em 1988 eu respondi “batman”; em 1991, “bombeiro”; em 1995, “ponta-esquerda do Grêmio”; em 1997, “astro de rock”; em 1999, falei “drag-queen” (em minha defesa, estava passando por um momento meio confuso, que já passou); e, em meados de 2000, eu desisti de todo aquele papo e respondi que só queria ser livre. Ele resmungou no telefone que era bobagem, isso de ser livre. Ninguém é livre.
Gabito Nunes. 

Eu continuo sem saber que maravilha a vida poderia me reservar se eu não me protegesse tanto.

Tati Bernardi

ameixas

ame-as
ou deixe-as.
Paulo Leminski.